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Ao mesmo tempo, o cruzmaltino, devido a suas raízes populares, crescia cada vez mais entre as camadas economicamente mais baixas da sociedade, atraindo uma importante massa de torcedores aos estádios, muito maior do que os jogos entre as elites. A frase reafirmada inúmeras vezes enaltece o orgulho dos vascaínos em ser Clube de Regatas Vasco da Gama. futebol bahiano ao vivo milhões de torcedores, o clube fundado na zona suburbana da cidade do Rio de Janeiro encabeça uma das lutas mais importantes da nossa sociedade, registrada nas páginas de sua caminhada de mais de 100 anos. A representatividade dos cruzmaltinos ultrapassa as quatro linhas e atinge diretamente o debate quanto ao racismo na sociedade. Há 99 anos atrás, o Vasco da Gama marcou um de seus gols mais bonitos de toda a sua gloriosa história no futebol brasileiro, ao lutar contra o racismo e o preconceito social. Nela, o presidente constatou sua desistência em nome do clube de filiar-se a AMEA em prol de seus jogadores negros e operários.
Não custa lembrar, o Vasco teve a fase mais vitoriosa de sua história sob a nefasta gestão do Caixa D’água à frente da FERJ. A essência do Vasco compreende as causas raciais e sociais ao longo de sua história. O camisa 8 do time da Gávea chegou a fazer um boletim de ocorrência, e o Fla acionou o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). (ambos com 30 pontos), houve um jogo desempate marcado para 13 de março de 1921.
Um cenário interessante para que essas ações tornem-se mais presentes no cotidiano dos clubes é a inserção do torcedor nos debate, participando no conselho, como sócios ou apenas tendo mais autonomia sobre o que acontece internamente, ao passo que essa ocupação seja democrática. Além disso, atletas como Romário, Barbosa e Pretinha fazem parte do passado do Cruzmaltino. A participação popular constitui um dos alicerces para que o clube esteja presente e engajado nas lutas sociais, de modo que a torcida é de extremo valor para que ele tenha sua memória preservada e passada aos demais. As portas para os negros não foram abertas apenas pela formação democrática do Vasco da Gama, que tem sua participação incontestável, mas também é preciso que se considere todo o movimento e luta de outros. Demais clubes, como a Ponte Preta e o Bangu, também tiveram papéis essenciais na luta contra o racismo e a favor da inclusão dos negros no esporte.
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Em 7 de abril de 1924, na secretaria do clube, o presidente vascaíno José Augusto Prestes redigiu e assinou o Ofício n.º 261, a “Resposta Histórica”. O Vasco desistia de fazer parte da AMEA e ficaria com seus jogadores. Para que os atletas conseguissem, mesmo que sem uma boa ortografia, escreverem os dados necessários e assinarem o pedido de inscrição ou opção, o Vasco contou com a ajuda do associado Custódio Moura. O clube associativo preparou uma pesquisa com referência histórica baseada em imagens, relatos e reportagens da época - o ge teve acesso a esse material em primeira mão. A SAF também entende a importância de ressaltar a história do Vasco e esse feito que é motivo de orgulho para torcedores.
Pelo senso comum brasileiro, o futebol é tratado apenas como um esporte que tem como única função entreter um público dentro de campo, mas as suas histórias e tudo que o envolve deixam claro que essa concepção é enganosa. O Correio da Manhã do dia 8 de abril de 1924 ao dizer que "da Amea só fará parte o elemento são, puro" (p.7.), refere-se a comentários dos dirigentes da nova entidade. De fato, a transformação desta representação ainda não se deu no futebol brasileiro. A LMSA foi dissolvida no final de 1907 e uma nova liga surgiu no ano seguinte, sem proibição direta da participação de negros e pobres, mas com eles ainda sendo preteridos. Além do nome completo de cada jogador, era preciso informar onde era o atual local de trabalho do atleta e o local anterior.
O Vasco era um dos melhores times da época, e era composto por diversos jogadores, negros e operários, por isso seria diretamente impactado. Em ofício, o então presidente do Vasco, José Augusto Prestes, informou que estava desistindo de participar por não concordar com as determinações. A carta se tornou um marco contra a discriminação racial e social no futebol brasileiro, passando a ser conhecida anos depois como “Resposta Histórica”.
O Racismo Na Liga Metropolitana
A reação do Vasco em não aceitar as imposições dos grandes clubes poderia ser compreendida como uma manifestação mais organizada daquilo que já se manifestava na periferia. “Para nós, de fato, esse documento é como um troféu”, afirma João Ernesto Ferreira, vice-presidente de relações especializadas do Vasco, ao justificar a exibição de uma réplica da carta na nobre galeria de taças. Consolidado no remo, o clube só começou a se destacar pelos gramados no início da década de 1920. Sem a mesma tradição dos times da zona Sul do Rio na modalidade, a estratégia era montar elencos com jogadores das classes sociais menos favorecidas. A equipe campeã da segunda divisão em 1922 tinha como craques operários, choferes, pintores e faxineiros. Assim, assegurou o direito de disputar, no ano seguinte, a primeira divisão ao lado dos já consagrados América, Botafogo, Flamengo e Fluminense.
Quem foram os camisas negras do Vasco? Quem foram os Camisas Negras
Foi a primeira taça de uma equipe composta por essa mescla racial e social. Incomodadas pela ascensão meteórica do Vasco, em 1924 as equipes de elite do futebol carioca condicionaram a participação do clube nas competições à exclusão de 12 jogadores pretos e operários.
Qual jogador ficou conhecido por usar pó de arroz para disfarçar a cor? A história começa com a saída de Carlos Alberto do América-RJ para o Tricolor, em 1914. No dia 13 de maio daquele ano, o jogador, negro, enfrentou pela primeira vez seu ex-clube. Para provocá-lo, os americanos se valeram do pó-de-arroz que o atleta, desde sua equipe anterior, passava no rosto após fazer a barba.
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